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Robótica de coluna avança no Brasil com plataforma aberta para diferentes sistemas de parafusos

Robótica de coluna avança no Brasil com plataforma aberta para diferentes sistemas de parafusos

Robótica de coluna avança no Brasil com plataforma aberta para diferentes sistemas de parafusos

O mercado brasileiro de cirurgia da coluna acaba de receber uma nova plataforma de navegação robótica. O CUVIS-spine CS200, desenvolvido pela sul-coreana Curexo, obteve o registro nº 83037069003 na Anvisa, abrindo caminho para sua comercialização e utilização no país.


A chegada do equipamento merece atenção não apenas por ampliar a oferta de robôs para cirurgia da coluna no Brasil, mas principalmente por sua proposta de plataforma aberta. 


Diferentemente de soluções vinculadas a uma única empresa de implantes, o CUVIS-spine foi projetado para trabalhar com instrumentos e sistemas de parafusos pediculares de diferentes fabricantes, desde que sejam tecnicamente compatíveis, validados e estejam devidamente regularizados.


Isso significa que hospitais e cirurgiões podem preservar maior liberdade na escolha do sistema de implantes, sem necessariamente ficarem vinculados à marca responsável pela plataforma robótica.


Como funciona o CUVIS-spine

O sistema combina planejamento cirúrgico, navegação óptica e posicionamento robótico para auxiliar o cirurgião na preparação da trajetória e na inserção de parafusos pediculares.


O planejamento pode ser realizado com base em uma tomografia pré-operatória, posteriormente correlacionada com imagens adquiridas durante a cirurgia. A plataforma também admite fluxos com imagens 2D e 3D intraoperatórias.


Durante o procedimento, o braço robótico posiciona o guia de acordo com a trajetória planejada. A documentação técnica descreve navegação e orientação de instrumentos compatíveis utilizados em procedimentos abertos ou percutâneos, incluindo broca, dilatador, macho e chave de inserção.


Entre os recursos apresentados estão:

  • - planejamento individualizado da trajetória dos parafusos;
  • - utilização de tomografia pré-operatória ou imagens intraoperatórias;
  • - rastreamento em tempo real dos instrumentos;
  • - atualização da posição em relação à anatomia do paciente;
  • - monitoramento de forças externas;
  • - detecção de colisão e mecanismos de parada de emergência;
  • - compatibilidade com diferentes modalidades de imagem;
  • -  possibilidade de utilização em abordagens abertas e percutâneas.


Na documentação apresentada à FDA, o CUVIS-spine é classificado como um sistema de orientação para parafusos pediculares, destinado a auxiliar na localização de estruturas anatômicas e no posicionamento de instrumentos cirúrgicos compatíveis. O modelo CS200 recebeu autorização 510(k) nos Estados Unidos em 2023.


Uma plataforma aberta — mas não para “qualquer parafuso” automaticamente

A expressão “plataforma aberta” não deve ser interpretada como autorização irrestrita para utilizar literalmente qualquer parafuso disponível no mercado.


Na prática, a arquitetura permite incorporar sistemas de diferentes fabricantes, mas cada combinação depende da compatibilidade entre os instrumentos, os adaptadores, o planejamento e o fluxo validado pelo fabricante. Os implantes utilizados também precisam possuir sua própria regularização sanitária.


Portanto, o diferencial está na ausência de um vínculo obrigatório com uma única marca de implantes — uma característica comercialmente relevante para hospitais, distribuidores e empresas brasileiras de coluna que desejem integrar seus sistemas à navegação robótica.


Impacto para o mercado brasileiro

A chegada de uma plataforma aberta pode alterar a dinâmica competitiva da robótica de coluna no país. Em modelos fechados, a aquisição do robô tende a direcionar o consumo futuro de implantes para a empresa proprietária da tecnologia. Em uma arquitetura aberta, diferentes fabricantes podem disputar os procedimentos realizados dentro da mesma plataforma.


Esse modelo pode favorecer:

  • -maior liberdade de escolha para o cirurgião;
  • -aproveitamento de contratos e estoques já existentes nos hospitais;
  • -integração de empresas nacionais e internacionais de implantes;
  • menor dependência comercial de um único fornecedor;
  • -ampliação do acesso à tecnologia robótica;
  • -competição baseada em qualidade, evidência clínica, serviço e custo.


O CUVIS-spine chega ao Brasil em um momento no qual hospitais e fabricantes buscam modelos mais flexíveis para incorporar robótica, navegação e inteligência ao centro cirúrgico. A aprovação representa mais do que a entrada de um novo equipamento: introduz uma alternativa estratégica para conectar diferentes sistemas de parafusos a uma mesma infraestrutura tecnológica.


No Brasil, o registro é detido pela M&A Comércio e Importação, com representação da M&M Brasil e distribuição exclusiva informada pela Energy Surgical.


Fontes primárias